13/02/2025

Na contramão dos psicofármacos (Dra Renata Bomfim)

 


Ah!, já pensou se existisse um comprimidinho mágico que desse conta de resolver problemas, que desaparecesse com a ansiedade, fizesse o tempo parar, a dor... Infelizmente, existem milhares de ofertas de substâncias que prometem isso e muito mais, entretanto, esse caminho mais curto, ou "milagre" para a saúde e o bem-estar é verdadeiro, até porque o bem-estar não é algo monolítico, mas do campo da sensibilidade, portanto deve ser vista e analisada a partir desse prisma. 

Utilizo o atalho como metáfora para explicar a questão sensível que é o psicofármaco. Não se trata de demonizar os remédios, até porque eles são uma grande conquista do ser humano, um exemplo do quanto a ciência pode contribuir para a saúde das pessoas. O que ponho em xeque aqui é o uso indiscriminado desses medicamentos. A falta de ânimo e motivação,  por exemplo, queixas comuns nos consultórios, é um sinal de que a pessoa deve analisar o que está acontecendo com ela, tanto física, quanto psíquica e emocionalmente. É nesse momento que uma profusão de "soluções fáceis" aparecem.

Há casos em que a medicação é imprescindível, entretanto, o fato é que que há situações nas quais somente o remédio não dá conta, exemplo disso são as doenças psicossomáticas que demandam uma abordagem multidisciplinar e a adesão consciente da pessoa doente. 

Volto a metáfora do atalho. Não há atalhos quando se trata da saúde, o desafio é pegar o melhor caminho, o caminho que, mesmo parecendo mais difícil, concede a alegria da conquista, um caminho de vivências de integração de aspectos do psiquismo. 

Renata Bomfim